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A Vida Chora PDF Print E-mail
Poema escrito por  Maria João

Era uma menina
Já com triste sina…
Mui tenra, de colo,
Há pouco nascida
Arrancada ao consolo
Por alguém deixada
Sozinha, sem nada,
Lá, abandonada
À entrada da Vida
Lhe dando guarida
O limiar dum portão.
Essa pequenina,
Indefesa menina,
Falar não sabia
Andar também não,
Mas Viver pedia
Enquanto mexia
O pezito, a mão.
Outro alguém passou …
De pronto, estacou
(Ainda há coração)
Por, assim, ouvir
Mesmo de partir
A menina chorar.
- Desalmada mamã
Que te quis largar!
A notícia correu
A emoção também
E a Lei se mexeu
P’ra fazer sorrir
De novo, a menina,
Oferta divina,
Assim desdenhada,
Na Vida, à entrada.
- Obrigada, mamã,
(Um dia dirá)
Te não fui querida,
Porém… deste-me a Vida!

Oh quanto menino
Bem mais pequenino
Quer Viver também!
E chora baixinho
No ventre da mãe
A pedir, de mansinho,
O não mandem embora…
Tão baixinho chora,
Que o não ouve ninguém.
Nem no silêncio o escuta
A própria mãe
Que o não quer Amar
Que lhe nega a Vida,
(Pérola desvalida
Num mundo sem Rei)
Pois resoluta,
Decide… matar.
- Se o permite a lei
(Lei de Caim
Que à Vida põe fim)
Só a minha importa!
E, assim… aborta.

Foi-se a criança…
Mas no coração da mãe
Outro peso também
Avança e balança
Ao longo da Vida
Agora, mais sofrida.
Vida magoada,
P’ra sempre amargurada.

Há leis que são loucas!
Há mães que são ocas!

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